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Estratégia

Due Diligence de Marcas em Fusões e Aquisições

7 min de leitura · Agora Marcas

Em uma aquisição, parte relevante do preço costuma estar na marca. Quando a due diligence falha em auditá-la, o comprador paga por um ativo que pode não existir como imaginava.

Há um momento decisivo em toda operação de fusão ou aquisição em que a empoldade da tese de negócio encontra a frieza da verificação. É a due diligence, o exame minucioso que confirma se aquilo que está sendo comprado corresponde ao que foi prometido. Quando o ativo central da transação é a marca, e cada vez mais é, a auditoria de propriedade intelectual deixa de ser item secundário do checklist jurídico para se tornar fator capaz de redefinir preço, estrutura ou a própria viabilidade do negócio.

Por que a marca merece auditoria própria

Em muitas aquisições, especialmente nos setores de consumo, tecnologia e serviços, a marca é a razão de ser da compra. O comprador não quer apenas a operação, ele quer o nome, a reputação e a base de clientes que aquele sinal carrega. Se a marca for juridicamente frágil, todo o racional da transação fica comprometido. Pagar valor de marca consolidada por um direito vulnerável é um dos erros mais caros em M&A, e ocorre com frequência maior do que se imagina, porque a marca parece sólida vista de fora.

Titularidade: quem realmente é dono

A primeira pergunta da auditoria é também a mais elementar e a mais frequentemente respondida de forma errada: de quem é a marca, afinal? Não é incomum descobrir que o registro está em nome de um sócio pessoa física, de uma holding não incluída no perímetro da operação, de uma empresa do grupo que será excluída, ou de um ex-fundador que saiu anos atrás. A divergência entre quem usa a marca e quem a detém juridicamente é um passivo silencioso.

Escopo e vigência da proteção

Confirmada a titularidade, a auditoria examina o que exatamente está protegido. Uma marca pode estar registrada, mas em classes que não cobrem suas principais linhas de produto. Pode estar protegida no Brasil, mas desprotegida nos mercados de exportação que justificam parte do valuation. Pode ter registros vencidos ou prestes a vencer sem prorrogação providenciada.

O avaliador mapeia a cobertura real frente à atividade real do negócio. Lacunas de classe e de território são descontos diretos no valor, porque significam que o comprador adquirirá uma proteção menor do que supunha. Em mercados estratégicos sem proteção, o risco é ainda maior: pode haver terceiros já registrando o sinal localmente, inviabilizando a expansão que motivava a compra.

Litígios, oposições e contingências

Marcas valiosas atraem disputas. A due diligence investiga o histórico contencioso: oposições a pedidos, processos de nulidade, ações de caducidade por desuso, conflitos com marcas semelhantes e notificações extrajudiciais. Cada litígio em aberto é uma contingência que precisa ser dimensionada e, idealmente, refletida no preço ou em garantias contratuais.

Há também o risco de coexistência. Acordos firmados no passado, em que a empresa concordou em limitar o uso de sua marca a determinadas classes ou territórios para conviver com um concorrente, restringem o ativo de forma permanente. Esses acordos costumam estar mal documentados e só emergem em uma auditoria diligente.

Uso real e risco de caducidade

Um direito de marca não usado pode ser extinto. A legislação prevê a caducidade por desuso, e um portfólio cheio de registros que não correspondem a produtos efetivamente comercializados é mais frágil do que aparenta. A auditoria cruza os registros existentes com o uso comercial real, identificando quais marcas estão vulneráveis a pedidos de caducidade por parte de concorrentes.

Contratos que cercam a marca

A marca raramente vive isolada. Ela está enredada em uma teia de contratos que a auditoria precisa desemaranhar.

Do diagnóstico à mesa de negociação

O valor da due diligence não está apenas em encontrar problemas, mas em traduzi-los em consequências negociais. Achados de PI alimentam diretamente a estrutura do negócio. Uma titularidade mal resolvida pode virar condição precedente ao fechamento, a empresa precisa regularizar o registro antes que o dinheiro mude de mãos. Contingências de litígio podem ser cobertas por declarações e garantias do vendedor, ou por retenção de parte do preço em conta-garantia. Lacunas de proteção podem justificar redução direta do valor.

O comprador bem assessorado usa os achados como alavanca; o vendedor bem preparado antecipa-os, regularizando seu portfólio antes de levar a empresa ao mercado. Em ambos os lados, a clareza sobre o estado real das marcas converte incerteza em poder de barganha.

A auditoria como criadora de valor

Há uma leitura equivocada de que a due diligence de marcas existe apenas para encontrar defeitos. Na prática, ela também revela valor não percebido: registros esquecidos com potencial de licenciamento, proteções em territórios estratégicos que o próprio vendedor subestimava, ativos que reforçam a tese de aquisição. Uma auditoria competente é tanto um escudo contra passivos quanto uma lente que enxerga oportunidades.

A Agora Marcas acompanha empresas e seus assessores nesse processo de verificação, organizando e auditando portfólios de marcas no contexto de operações societárias. Em M&A, a diferença entre comprar bem e comprar mal muitas vezes está nos detalhes que só uma due diligence rigorosa de propriedade intelectual revela a tempo.

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